Pacotinho de gibis

2006-03-07

Pacotinho #7




Infinite Crisis #5

[DUCA] Parte da graça de Infinite Crisis é a quantidade de detalhes. É divertido ver um remake da capa de Action Comics #1, ou ainda o Superboy Prime vestindo o uniforme do Antimonitor. Mas o melhor mesmo são as boas sacadas do autor.

Um dos grandes problemas dos quadrinhos americanos é que as séries não tem fim. Sem o final, o leitor acaba esperando novas histórias de seus personagens prediletos, e enquanto estiver vendendo bem, as histórias vão saindo. Só que os leitores envelhecem, e começam a exigir tramas mais elaboradas, mais maturidade. Pra manter as vendas, os heróis precisam se adaptar. Como conseqüência, o público infantil acaba sendo deixado de lado.

A boa solução da DC no passado era justamente as terras paralelas. Um leitor casado, com filhos, podia se identificar com o Batman casado da Terra 2, e sua filha Huntress. Enquanto isso, na Terra 1, o leitor mais jovem curtia o Batman original. Mas, com a crise, essa solução teve que ser abandonada. No universo pós-crise, a solução era aposentar os heróis antigos (ou transformá-los em vilões, como o Hal Jordan), e trocá-los por heróis mais inexperientes, como o Kyle Rayner.

Em Infinite Crisis #5, o autor mostra que entendeu muito bem essa idéia. Em certo ponto, o vilão cita que o Kyle Rayner deveria ter nascido na Terra-8, ele só está no mesmo universo do Hal Jordan porque os universos se uniram na Crise original. É claro! Se a DC não tivesse feito a Crise, provavelmente os leitores contemporâneos estariam acompanhando gibis de uma nova Terra. Um grande insight que me deixou com um sorriso, esse é um autor que sabe sobre o que escreve.

Friendly Neighborhood Spider-Man #5

[BOM] Uma história simpática do Peter David, onde uma blogueira paranóide acha que está sendo stalked pelo Homem-Aranha, e entra na justiça com um mandado de restrição. O fato notável nem é a história em si, é o aviso que eu coloco em itálico: Veja, Bendis, é possível escrever uma história completa em uma única edição! Nessa época de "descompressão", uma história auto-contida é notável.

Y The Last Man #40

[DUCA] Eu sempre me impressiono com autores que sabem criar universos internamente consistentes, e mais ainda quando os personagens agem de acordo com esse universo. No mundo de Y: The Last Man não há homens. Todos morreram, exceto o protagonista, que vive escondido. Ou seja, o resto do mundo não sabe disso, só nós, os leitores, sabemos que o Yorrick está vivo. Então, quando surge uma mulher grávida, nós, os leitores, sabemos que só pode ter sido o Yorrick. Os personagens da história, que não tem as nossas informações, pensam do jeito deles, e concluem que houve na verdade uma concepção imaculada, e a garota está grávida do próximo Messias. Genial, um twist que só funciona porque o autor entende bem o mundo que criou.

All Star Superman #2

[DUCA] A maioria dos escritores, principalmente no período pós-Crise, tendem a escrever o Super-Homem como sendo um fortão que voa. O Grant Morrison, nessa edição, deixa claro que o Super-Homem dele tem ênfase no "Super". Trata-se de um ser quase divino, para quem feitos inimagináveis são simples. É exatamente na casualidade dos comentários dele que você nota isso, como, por exemplo, "demorei um pouco pra decorar sua seqüência de DNA... tive dificuldade com os seis bilhões de letras". Adoro quando o Morrison fica inspirado.

Outsiders #34

[OK] O primeiro da nova cronologia "One Year Later". A história usa como pano de fundo uma nação africana, onde crianças estão sendo recrutadas desde a infância para atuar no terrorismo e no tráfico de drogas. Isso não era exatamente a origem do Mr. Eko em Lost? É até difícil dizer quem plagiou quem, já que tanto o episódio quanto o gibi começam a ser produzidos pelo menos três meses antes de virem a público.



Ultimate Wolverine vs Hulk #1

[OK] Falando em Lost, esse aqui foi escrito pelo Damon Lindelof, que está para Lost assim como o J.M.Straczynski está para Babylon 5. É claro que está escrito da mesma maneira que a série. Logo nas primeiras páginas o Hulk rasga o Wolverine no meio, e o resto da história é contado através de flashbacks. A história em si não tem nada de especial até agora, vamos ver se melhora no futuro.

Batman Annual #25

[RUIM] Ick. É até difícil de comentar. Consta que nas revistas regulares do Batman trouxeram o Jason Todd de volta à vida, e na forma de vilão. Tá na moda, lá na Marvel o Bucky também ressuscitou e virou vilão. Esse gibi aqui era pra ser a explicação. Pois bem, a trama é que durante os prelúdios da Infinite Crisis o Superboy Prime deu porradas na realidade(?), causando uma onda de anomalias que voltaram no tempo(?) e fizeram o Robin ressuscitar seis meses depois de ter morrido, com danos cerebrais. Até aí, isso é um gibi de super-herói, essas coisas acontecem. Verdade que acontecem mais quando o escritor é incompetente, mas adiante.

O problema é que o guri foi resgatado pela Talia e pelo Ra's Al Ghul, que mantiveram isso em segredo por vários anos na cronologia. Mas, se eles tinham o Robin ressuscitado, porque nunca usaram isso pra fazer chantagem com o Batman? Histórias retroativas são sempre um perigo, é muito difícil escrever sem contradizer o que veio antes. Eu mesmo consigo pensar em um monte de soluções melhores, se eles realmente queriam trazer o Robin de volta. Foi a continuidade retroativa que matou essa história.

6 Comments:

  • Eu também curti esse ponto de IC#5, e eu curtiria ler histórias do Capitão Átomo da Terra-8. :¬)

    Só o que às vezes me incomoda no Geoff Johns são alguns puritanismos que ele escreve. Fazer o Superboy acreditar que é mau porque foi clonado a partir das células de alguém mau, "sempre que um Superman estiver com um Luthor, estarão em lados opostos" e "tudo começa com um Superman" às vezes incomoda. Este último não incomoda tanto, deve ter sido uma homenagem ao fato de os gibis de heróis da DC terem começado com o Super-Homem, mas ainda assim é um ponto meio chato.

    A questão da descompressão (ou o "fator Bendis", hehe) às vezes me incomoda também. Volta e meia eu leio histórias antigas e, em 20 páginas, muita coisa era contada. Hoje, embora a caracterização fique melhor, 20 páginas não contam quase nada. Está praticamente impossível suportar a leitura edição por edição, tem que esperar acabar um arco e ler o arco inteiro.

    Eu gosto do jeito que o Bendis escreve, e adorei Daredevil e Alias. Mas nem todo mundo consegue fazer o que ele faz. Nem ele, na maioria das vezes.

    O Super-Homem de All-Star é o pré-Crise? :¬)

    E pô, qual o problema com os murros na realidade do Superboy? O Franklin Richards assoa o nariz na realidade (o que faz com que heróis surdos mortos ressucitem com audição boa) e ninguém reclama.

    By Anonymous Wilerson #@®®¡$, at 4:39 PM  

  • Mas você pode ler as histórias do Capitão Átomo da Terra-8. O tal do Breach é um herói publicado pela DC, escrito pelo Bob Harras, o mesmo cara que era editor dos X-Men na época do Lobdell.

    A questão da descompressão também passa pelo artista. Na época da Crise original, o default era uma página com nove quadrinhos. Hoje em dia o comum é seis, não é a toa que tem menos espaço pra contar histórias...

    O Super-Homem do All Star é Elseworlds, mas está próximo do pré-Crise sim.

    By Blogger Ricardo, at 4:45 PM  

  • A blogueira tem um Skull (do http://www.pvponline.com) de pelúcia em cima do computador... :-)

    By Blogger muriloq, at 6:09 PM  

  • Onde achar essa "Infinite Crisis", vende aqui no Brazil?

    By Anonymous Anônimo, at 9:45 PM  

  • Mais cedo ou mais tarde a Panini vai publicar, por enquanto só em importadoras.

    By Blogger Ricardo, at 12:16 AM  

  • olá!

    bacana os comentários...

    Ate mais!

    By Blogger Delete, at 9:46 PM  

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